O caso sobre cercárias na barragem do Alqueva é uma descoberta científica inédita em Portugal, tornada pública em finais de setembro de 2026. Foi descoberta no contexto de um estudo do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa e publicado na revista científica Science in One Health.
Pela primeira vez em Portugal, foi confirmada por análises genéticas a presença do parasita Trichobilharzia franki em caracóis de água doce da espécie Radix auricularia.
As cercárias são as fases larvares destes parasitas que abandonam os caracóis (hospedeiros intermédios) para infetar aves aquáticas (os hospedeiros definitivos). No entanto, se entrarem acidentalmente em contacto com a pele humana na água, podem tentar penetrá-la.
Embora os seres humanos não sejam os hospedeiros adequados para o ciclo de vida do parasita (não provocando uma infeção sistémica grave ou fatal), a penetração das larvas na pele pode desencadear dermatite cercariana, uma reação alérgica cutânea muito incómoda vulgarmente conhecida como “comichão do nadador”.
Uma vez que nas piscinas biológicas vale a regra sempre afastar aves aquáticas, pode se excluir o perigo de apanhar a comichão do nadador numa piscina biológica.